Wagner Costa (Porto Alegre/RS, 1983) é artista visual, com produção dedicada à gravura, pintura e vídeo-arte. Graduado pela Universidade do Vale do Sinos (2009), atualmente desenvolve sua pesquisa e produção no Ateliê de Gravura da Fundação Iberê Camargo, com acompanhamento de Eduardo Haesbaert. Sua obra integra a coleção do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), onde realizou a exposição individual “O traço que nasce da sombra”, em 2021. Na Galeria Mamute (Porto Alegre), apresentou em 2020 sua primeira mostra, “Da pele ao pó”, com curadoria de Henrique Menezes. Frequentou a The Florence Classical Arts Academy (Itália, 2018) e a Barcelona Academy of Art (Espanha, 2018), onde estudou técnicas clássicas de desenho. Integrou exposições coletivas nas embaixadas do Brasil em Londres, Viena, Madri e Lisboa (Circuito Internacional de Arte Brasileira, 2003) e foi premiado no 9° Salão de Pintura, Desenho e Escultura da Fundação Cultural de Canoas/RS.

 
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o traço

que nasce

da sombra 

Ao contrário do esperado, quando a visão se turva e as imagens ocultam-se na sombra, a percepção pode revelar mais do que esconder. São os extremos da luz – seu excesso ou sua ausência – que cegam os olhos, corrompem a apreensão do mundo e tiram a nitidez de tudo.

Uma das possibilidades para se pensar a obra de Wagner Costa é através da consciência sobre a luz: é ela que confirma a materialidade dos contornos e revela formas moldadas tão somente pelo domínio das fibras do algodão. O artista faz uso da prensa para criar relevos a partir de suas próprias silhuetas recortadas na matriz: o conjunto de gravuras-cegas parte de exercícios de observação de seu corpo, fragmentado e levado ao limite da abstração.

Se a pintura e o desenho operam pela adição (dos pigmentos, do traço a grafite), a essência da escultura clássica reside na subtração (da matéria). O interesse de Wagner em tensionar – e somar – as zonas de contato entre múltiplas expressões inicia-se em 2018 durante uma temporada de estudos na Academia de Arte de Florença (Itália) e intensifica-se no Atelier de Gravura da Fundação Iberê Camargo: todas as obras desta exposição foram concebidas e produzidas na prensa que pertenceu ao mestre gaúcho.

“O fundo é o mundo” – sugere o neoconcretismo – em íntima relação com a proposição de Merleau-Ponty de que todo movimento demanda um horizonte para desenrolar-se. É sobre um fundo neutro, originalmente plano e alvo, que Wagner Costa vai sedimentando suas silhuetas, povoando esse mundo com habitantes à sua imagem – tal como um espelho de Narciso partido e recomposto com o hiato de seus vestígios.

 

 

Henrique Menezes

Especialista em Estudos Curatoriais e Arte Contemporânea

pela Universidade de Lisboa.

No corpo a corpo com a gravura — O Wagner iniciou comigo a prática da gravura em metal no início de 2019. Seguimos compartilhando experimentos e trocando ideias para melhor revelar o tema que ele investiga, o corpo. A maioria de suas gravuras são monotipias, onde gestos na matriz resultam corpos pictóricos e desmembrados. Não é edição de uma mesma imagem, são várias imagens impressas a partir de matrizes modificadas que geram corpos únicos.

 

Eduardo Haesbaert

Artista Visual e Cordenador do Ateliê de Gravura

da Fundação Iberê Camargo

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