Matriz n1 – n30, 2021

Desdobramento da gravura, através de exercícios espaciais com matrizes de papel acumuladas após a impressão de monotipias. Objetos com camadas em relevo, tinta a óleo e pigmento em pó. Resquícios de traços e contornos do corpo, resultado de memórias do movimento passado, desenhadas e recortadas em fragmentos. Dobras de papel confinadas, mas livres de fixação, ao aguardo da vontade de alguém que as manipule, gerando assim obras participativas e sensíveis.

(...) o único 'local' onde o negativo pode verdadeiramente existir é a dobra, a aplicação um ao outro do interior e do exterior, o ponto de virada(...) Não é, pois, casual que a ontologia de uma intencionalidade inscrita em um ser de indivisão, interessada em freqüentar os longínquos, venha justamente atravessar as paragens da dobra e, a partir dela, da virada e do verso, da transposição e da distância, da trama e da diferença; por fim, da modulação e da ressonância. O demonstrativo dessa travessia é uma vez mais a cor como qual e visual, como textura, ou seja, como capacidade de "concreção de uma visibilidade universal, de um único Espaço que separa e reúne, que sustenta toda coesão" (Merleau-Ponty, Le visible et l'invisible) 

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